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Lançada primeira etapa da parceria do Departamento de Comunicação com ABI

22/11/2023

Marcada por preconceito, poucas oportunidades e muita luta, a história da imprensa preta brasileira completa 190 anos em 2023 ainda em busca de reconhecimento. Para marcar a data, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), por meio do Departamento de Comunicação, vêm reunindo, pela primeira vez, uma série de depoimentos em áudio e vídeo de jornalistas negros brasileiros das mais diferentes áreas de atuação e pensamento. O acervo histórico ganhou o nome de “Jornalista Gustavo de Lacerda”, uma homenagem ao fundador da ABI.

A ideia inicialmente é preservar a memória da imprensa negra brasileira, mas também avançar no desenvolvimento de ações voltadas para mostrar a diversidade étnico-racial dentro das redações e em seus múltiplos ambientes de trabalho. Sem esquecer de incentivar o reconhecimento dos jornalistas pretos numa área ainda hoje preconceituosa e de maioria branca.

Não é por acaso que o ano de 2023 foi escolhido para marcar a história dos 190 anos da imprensa negra no Brasil. A data foi escolhida para resgatar o lendário jornal “O Homem de Cor”, tabloide lançado em 14 de setembro de 1833 (portanto há 190 anos) na cidade do Rio de Janeiro. Hoje o jornal é considerado por historiadores a primeira manifestação plena da imprensa preta brasileira. 

Não custa lembrar: o nome de Gustavo de Lacerda foi escolhido para batizar o acervo porque o jornalista negro, catarinense, fundou a ABI há 115 anos (7 de abril de 1908). Segundo o próprio Lacerda, a Associação Brasileira de Imprensa deveria ser um campo neutro em que se pudessem abrigar todos os trabalhadores da imprensa.

– Um outro momento singular na história das presenças negras nas comunicações, foi a criação da Diretoria de Igualdade Étnico-Racial da ABI, um território democrático, potente, inquieto que resultou em várias ações, com destaque para a constituição da parceria institucional entre a ABI e a PUC-Rio, tornando realidade o Acervo Jornalista Gustavo de Lacerda. É o encontro da ciência com o cotidiano das vidas pretas nas comunicações – afirma Luiz Paulo Lima, diretor de Igualdade Étnico-Racial da ABI.  

– Um dos maiores orgulhos do nosso corpo docente – em grande parte formado por jornalistas profissionais de diferentes gerações – é a presença forte de alunos de diferentes etnias em nossas salas de aula e laboratórios. Ali vemos surgir grandes profissionais, nos mais diferentes veículos e plataformas - destacou Mauro Silveira, professor do Departamento de Comunicação da PUC-Rio. Para o professor, o trabalho desenvolvido em parceria com a ABI vem sendo realizado em um ambiente de amizade, companheirismo e prazer.

Primeiros depoimentos

Coube ao jornalista Rubem dos Santos, o Rubem Confete, de 86 anos e sócio da ABI há 45 anos, estrear a série de depoimentos que será exibida no canal ABI TV no Youtube, a partir da próxima segunda-feira, 20, onde conta a sua origem familiar, o gosto pela leitura que o fez se destacar em sala de aula, a influência do primo Aniceto que o levou para o Império Serrano. Na Estação Primeira de Mangueira foi passista e destaque representando Dom Obá II d’África. Jornalista, Roteirista, Teatrólogo, Radialista, Gráfico, Cantor e Compositor,  Rubem Confete é um Griô, ativista e estudioso das questões afro-brasileiras.

Gilberto Porcidonio, jornalista formado pela PUC-Rio, é o segundo entrevistado. Ele é produtor de redes e conteúdo na Rádio Novelo — onde também foi um dos pesquisadores do podcast do projeto Querino — e colunista do Coletivo Pretaria. Foi repórter dos jornais O Globo e Extra e revista Época. É um dos autores dos livros “Larica Carioca” (Rio de Letras, 2015), e “1979: O ano que ressignificou a MPB” (Garota FM Books, 2022).  

Graduada em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, pela Universidade Estácio de Sá, Eliane Benício acumulou experiência factual na Agência Noticiosa Sport Press, em jornais impressos do Rio (O Povo, O Dia, O São Gonçalo, Jornal do Brasil) e oferecendo pautas ou redigindo matérias de comportamento para revistas como Raça Brasil (Ed. Símbolo) e Quem Acontece (Ed. Globo).

Dando sequência aos depoimentos, a atração é o jornalista Marcos Gomes, atual presidente do Conselho Deliberativo da ABI.

A jornalista, modelo e produtora Marielli Patrocínio fala de sua atuação na comunicação antirracista dando ênfase a autoestima da mulher negra.

Fechando a primeira temporada dos depoimentos para o Acervo Jornalista Gustavo de Lacerda, será a vez do jornalista Antonio Werneck, que tem sua trajetória marcada pela cobertura ligada a área de segurança pública, no jornal O Globo, o que lhe rendeu diversos prêmios.


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